“Quimera”, um poema em prosa de Otávio Moraes

Foto de capa: Reflection with Two Children (Self-portrait) (1965) – Lucian Freud. Disponível em: dasartes. Texto por Otávio Moraes Manhã, domingo, céu bembranco, o tempo preguiçando. Homem velho, contra o espelho, assemelhando avô velho. Homem velho é o desde sempre. Posição desigual cabe ao moço, mocidade é o mundo no novo, Deus, antes da canseira,Continuar lendo ““Quimera”, um poema em prosa de Otávio Moraes”

É possível ensinar poesia? Indagações sobre poesia, ensino e filosofia

Apresentação por Gabriel Reis MartinsEnsaio por Isadora Urbano Desaprender oito horas por dia ensina os princípios Manoel de Barros, O livro das ignorãças. Se uma das prerrogativas da poesia é promover a liberdade – conferindo “um novo sentido às palavras da tribo”, já escrevera Stéphane Mallarmé –, não seria contraditório submeter o jovem leitor àsContinuar lendo “É possível ensinar poesia? Indagações sobre poesia, ensino e filosofia”

Carta a meus filhos sobre os fuzilamentos de Goya, de Jorge de Sena

Carta a meus filhos sobre os fuzilamentos de Goya – de Jorge de Sena Não sei, meus filhos, que mundo será o vosso. É possível, tudo é possível, que ele seja aquele que eu desejo para vós. Um simples mundo, onde tudo tenha apenas a dificuldade que advém de nada haver que não seja simplesContinuar lendo “Carta a meus filhos sobre os fuzilamentos de Goya, de Jorge de Sena”

Amarrados pela pátria: três belos poemas em português

Texto por Gabriel Reis Martins Eu estava perdido entre as imagens e textos do Instagram, quando parei para ler o fragmento de uma canção, recortada e postada por um amigo (e também autor aqui no blog): o pesquisador Otávio Moraes, grande leitor e escritor exemplar de nossas belas letras. A foto dele era a reproduçãoContinuar lendo “Amarrados pela pátria: três belos poemas em português”

Poemas de amor: de Catulo para Lésbia e outros amantes

Texto por Gabriel Reis Martins Caio Valério Catulo (c. 87-c. 54 a.C.) foi um poeta latino muito inventivo, apaixonado e de quem sabemos pouco. Dizem que nasceu em Verona e que viveu boa parte de sua vida em Roma, transitando entre personalidades importantes da política e da arte da época, em um período conturbado daContinuar lendo “Poemas de amor: de Catulo para Lésbia e outros amantes”

“Fractal”, um poema de Paulo Bittencourt

Um poema surrealista de Paulo Bittencourt O pensamento como quebra-cabeças de vidro estilhaçado que me corta a cada movimento de peças e cujo encaixe é ilimitado para extrair dos meus dedos o pouco de sangue que lhes resta. Dar ao oceano a medida certa de urina para salgar-lhe o sexo reptício das areias submarinas cristalizarContinuar lendo ““Fractal”, um poema de Paulo Bittencourt”

Lirismo enquanto doença

Texto por Otávio Moraes Na nossa cultura, o conhecimento (segundo uma antinomia que Aby Warburg acabou diagnosticando como a “esquizofrenia” do homem ocidental) está cindido entre um pólo estático-inspirado e um pólo racional-consciente, sem que nenhum dos dois consiga reduzir integralmente o outro. – Giorgio Agamben, em Estâncias   No poema “Num monumento à aspirina” éContinuar lendo “Lirismo enquanto doença”

5 poemas de amor para o Dia dos Namorados

Foto de capa feita pelo autor da publicação. Texto por Gabriel Reis Martins Ah, o Amor! Um dos temas mais explorados pela literatura e pelas outras artes – que vem nos acompanhando desde os tempos mais antigos, não deixando de alcançar também as inventivas ficções futuristas – sem jamais esgotar-se, contudo. No post de hoje,Continuar lendo “5 poemas de amor para o Dia dos Namorados”

“Azul” – seis poemas inéditos de Daniele Gomez

É muito comum ouvir por aí que os diários trazem inúmeros benefícios à vida cotidiana: ajudam contra a ansiedade, preservam a memória, esclarecem sentimentos conturbados, dão destino ao que parece inútil etc. Coisa parecida costuma ser dita sobre a poesia, que, além de fonte de enorme prazer, fornece repertório simbólico, ajuda na interpretação do queContinuar lendo ““Azul” – seis poemas inéditos de Daniele Gomez”

Idade média em tecnicolor

Gabriel – autor e editor aqui do Duras Letras – me pediu uma lista, uma seleção, de três poemas medievais que me encantam. Eu adoro listas, acho que o desafio de encontrar alguma relação de equivalência entre números e textos tem valor por si mesmo. O norte, em suas próprias palavras, deveria ser o encantamento.Continuar lendo “Idade média em tecnicolor”