“Quimera”, um poema em prosa de Otávio Moraes

Foto de capa: Reflection with Two Children (Self-portrait) (1965) – Lucian Freud. Disponível em: dasartes. Texto por Otávio Moraes Manhã, domingo, céu bembranco, o tempo preguiçando. Homem velho, contra o espelho, assemelhando avô velho. Homem velho é o desde sempre. Posição desigual cabe ao moço, mocidade é o mundo no novo, Deus, antes da canseira,Continuar lendo ““Quimera”, um poema em prosa de Otávio Moraes”

do 306/2 ao 1929

de Gabriel Reis Martins para Rafael Fava Belúzio — Timinho difícil esse — o papai dizia, eu sem entender. Mas o diminutivo não era tanto por conta do tamanho do time – jogadores eram onze, do mesmo jeito, de um lado e de outro; ele dizia aquilo assim, porque aquele time tinha saído de lugarContinuar lendo “do 306/2 ao 1929”

“O Flautista de Hamelin”, um conto de fadas tradicional

Coletado pelos irmãos Jacob e Wilhelm Grimm Equipe de tradução: Cláudia Mello Belhassof, Felipe Lemos, Kamila França, Ariane Muniz e Carolina Caires Coelho Era uma vez, às margens de um grande rio no norte da Alemanha, uma cidade chamada Hamelin. Os cidadãos de Hamelin eram pessoas honestas e viviam felizes em suas casas de pedrasContinuar lendo ““O Flautista de Hamelin”, um conto de fadas tradicional”

“O coelho sem pelos de Inaba”, um mito japonês tradicional

Recontado por Nana Yoshida e Lica Hashimoto O Deus-das-Grandes-Terras tinha muitos irmãos por parte de pai e todos eles resolveram ceder o comando de suas respectivas terras para ele. Essa atitude tinha uma motivação muito forte… Na verdade, os irmãos pretendiam casar com Yagami, a Princesa-das-Regiões-Prósperas, que morava em Inaba, um local muito distante. QuandoContinuar lendo ““O coelho sem pelos de Inaba”, um mito japonês tradicional”

“Nuvens”, um conto de Graciliano Ramos

Primeiro capítulo de Infância (1945), de Graciliano Ramos A primeira coisa que guardei na memória foi um vaso de louça vidrada, cheio de pitombas, escondido atrás de uma porta. Ignoro onde o vi, A quando o vi, e se uma parte do caso remoto não desaguasse noutro posterior, julgá-lo-ia sonho. Talvez nem me recorde bemContinuar lendo ““Nuvens”, um conto de Graciliano Ramos”

“Estraven, o Traidor”, uma história de Ursula K. Le Guin

Capítulo 9 do livro A mão esquerda da escuridão (1969)Tradução de Terezinha Eboli e Yeda Salles p/ o Círculo do Livro S.A. Trata-se de uma lenda da região leste de Karhide, como foi contada em Gorinhering por Tobord Chorhawa e mais tarde registrada por Genly Ai, o Enviado. É uma história bem conhecida, tem diversasContinuar lendo ““Estraven, o Traidor”, uma história de Ursula K. Le Guin”

“Azrael e o príncipe”, um conto árabe tradicional

Recontado por Ohran Pamuk, em A mulher ruiva (2021)Tradução do inglês de Luciano Vieira Machado “Há muito tempo, havia um príncipe igual ao seu”, começou ele. O príncipe era filho primogênito e favorito do rei. O rei amava muito o filho, fazia-lhe todas as vontades e promovia banquetes e festas em sua homenagem. Um dia,Continuar lendo ““Azrael e o príncipe”, um conto árabe tradicional”

“A filha da neve”, um conto de Angela Carter

De Angela Carter, com tradução de Adriana Lisboa ⚠️ O conto abaixo possui linguagem sexual e obscena ⚠️ Pleno inverno – invencível, imaculado. O conde e sua esposa saem para cavalgar, ele numa égua cinzenta e ela numa preta, ela envolta em peles brilhantes de raposas pretas; e ela usava botas altas, pretas e brilhantes,Continuar lendo ““A filha da neve”, um conto de Angela Carter”

“Fractal”, um poema de Paulo Bittencourt

Um poema surrealista de Paulo Bittencourt O pensamento como quebra-cabeças de vidro estilhaçado que me corta a cada movimento de peças e cujo encaixe é ilimitado para extrair dos meus dedos o pouco de sangue que lhes resta. Dar ao oceano a medida certa de urina para salgar-lhe o sexo reptício das areias submarinas cristalizarContinuar lendo ““Fractal”, um poema de Paulo Bittencourt”

“O Palácio de Cristal”, um conto de Paulo Bittencourt

Um conto de Paulo Bittencourt Os portões do Palácio de Cristal estavam intactos, mesmo seus arredores estando completamente arruinados. Apesar de os escombros dificultarem a chegada até os arcos metálicos que circundavam a entrada, o fenômeno era misterioso de uma maneira tal que se me apresentava irresistível em seu convite. Com um pouco de esforçoContinuar lendo ““O Palácio de Cristal”, um conto de Paulo Bittencourt”